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23/12/2011
Caio Fernando Abreu
Dois livros, 3 dias. Acho que consumi isto literalmente, como quem consome droga.
"É, eu confesso que não é exactamente a realidade que eu esperava encontrar. Talvez isso mude. Talvez você pule esses três ou quatro muros que nos separam e segure a minha mão, assim, ofegante, pra nunca mais soltar. Talvez você ainda possa pular no rio e me salvar. Ou talvez eu só precise de férias, de um novo amor. Porque no fundo eu sei que a realidade que eu sonhava afundou num copo de cachaça e virou UTOPIA!"
20/01/2011
Para reflectir ;)
“- Vamos encarar os factos, certo, Jessica? O nosso casamento não tem sido um jardim de rosas. Botanicamente falando, o seu perfil é o de uma planta carnívora.
- És um homem muito difícil de se conviver.
- Foi por isso que tiveste um caso.
- Não tive um caso. Foi um breve interlúdio de infidelidade e aconteceu há anos. Ainda não consegues esquecer isso!?
- Casei contigo pelas razões erradas.
- O que queres dizer com isso?
- És brilhante. Eu queria alguém para conversar. Tu amavas música clássica, arte, literatura. Sexo! Amavas-me!
- Essas parecem-me ser boas razões!
- Sim! Exactamente! Esse é o problema. Foi racional, isso faz sentido!
- Não sei o que é que deu de errado.
- Quando se examina mais de perto, há muito em comum entre nós. Na teoria somos perfeitos. Mas a vida não é só teoria . . .”
(Do filme: Whatever Works, de Woody Allen)
Para reflectir ;)
- És um homem muito difícil de se conviver.
- Foi por isso que tiveste um caso.
- Não tive um caso. Foi um breve interlúdio de infidelidade e aconteceu há anos. Ainda não consegues esquecer isso!?
- Casei contigo pelas razões erradas.
- O que queres dizer com isso?
- És brilhante. Eu queria alguém para conversar. Tu amavas música clássica, arte, literatura. Sexo! Amavas-me!
- Essas parecem-me ser boas razões!
- Sim! Exactamente! Esse é o problema. Foi racional, isso faz sentido!
- Não sei o que é que deu de errado.
- Quando se examina mais de perto, há muito em comum entre nós. Na teoria somos perfeitos. Mas a vida não é só teoria . . .”
(Do filme: Whatever Works, de Woody Allen)
Para reflectir ;)
23/05/2010
Pois
"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinteressada delas. Eu sou ao contrário: o tempo passa e a afeição vai crescendo, morrendo apenas quando a ingratidão e a maldade a fizerem morrer."
Florbela Espanca
05/02/2010
"- Quem és tu? disse o principezinho. És bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Anda brincar comigo, propôs-lhe o principezinho. Estou tão triste...
- Não posso brincar contigo, disse a raposa. Ainda ninguém me cativou.
- Ah! perdão, disse o principezinho. Mas, depois de ter reflectido, acrescentou:
- Que significa “cativar”?
- Tu não deves ser daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os Homens, disse o principezinho. Que significa “cativar”?
- Os Homens, disse a raposa, têm espingardas e caçam. É uma maçada! Também criam galinhas. É o único interesse que lhes acho. Andas à procura de galinhas?
- Não, disse o principezinho. Ando à procura de amigos. Que significa “cativar”?
- É uma coisa de que toda a gente se esqueceu, disse a raposa. Significa “criar laços”...
- Criar laços?
- Isso mesmo, disse a raposa. Para mim, não passas, por enquanto, de um rapazinho em tudo igual a cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. Para ti, não passo de uma raposa igual a cem mil raposas. Mas, se me cativares, precisaremos um do outro. Serás para mim único no Mundo. Serei única no Mundo para ti.(...)
Mas voltou à mesma ideia:
- Levo uma vida monótona. Eu caço galinhas e os Homens caçam-me a mim. Todas as galinhas são iguais e todos os Homens são iguais. Por isso me aborreço um pouco. Mas, se tu me cativares, será como se o Sol iluminasse a minha vida. Distinguirei de todos os passos, um novo ruído de passos. Os outros passos fazem-me esconder debaixo da terra. Os teus hão-de atrair-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Vês lá adiante os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me dizem nada. E é triste. Mas os teus cabelos são cor de oiro. Por isso, quando me tiveres cativado, vai ser maravilhoso. Como o trigo é doirado, fará lembrar-me de ti. E hei-de amar o barulho do vento através do trigo...
A raposa calou-se e olhou por muito tempo para o principezinho.
- Cativa-me, por favor, disse ela.
- Tenho muito gosto, respondeu o principezinho, mas falta-me tempo. Preciso de descobrir amigos e conhecer outras coisas.
- Só se conhecem as coisas que se cativam, disse a raposa. Os Homens já não têm tempo para tomar conhecimento de nada. Compram coisas feitas aos mercadores. Mas como não existem mercadores de amigos, os Homens já não têm amigos. Se queres um amigo, cativa-me.
- Como é que hei-de fazer? disse o principezinho.
- Tens de ter muita paciência, respondeu a raposa. Primeiro, sentas-te um pouco afastado de mim, assim, na relva. Eu olho para ti pelo rabinho do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, de dia para dia, podes sentar-te cada vez mais perto...(...)
- Vou dizer-te o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
(...) "
in “O Principezinho” de Antoine de Saint-Exupéry
E mais um vídeo:
Heroes & Saints , Nicolaj Grandjean
E mais um vídeo:
Heroes & Saints , Nicolaj Grandjean
09/11/2009
yes it's true!
"(...)sentei-me à mesa e tive vontade de escrever um poema. Fechei os olhos sob o sol generoso da tarde e escrevi mentalmente o que sentia naquele momento. Não sei exactamente que palavras acalentei no coração para responder àquela carta. Mas sei o que senti: medo. Um medo terrível de não saber o que fazer com aquele sentimento grande que se tornava maior do que eu. Medo de não estar à altura, de o desapontar. Medo de tudo não passar de um dos meus sonhos, com coisas improváveis. E, sobretudo, medo de o perder, embora tivesse agora a certeza do que aquele «para sempre» significava. (…)Chorei. Não sei se de alegria ou de pena por não ser mesmo essa concha transparente que ele pudesse transportar consigo nas fantásticas viagens através das ondas, entre algas e estrelas-do-mar. Na verdade, tive uma vontade súbita de pertencer-lhe como objecto querido que trazemos connosco em todas as ocasiões(…)
Quando dei por mim, estava na praia. Tirei os sapatos e corri para a beira-mar. A água fria insistiu em acordar-me e eu não queria.
- Está quentinha! – disse o Dunas, saindo do mar e borrifando-me os cabelos com gotas salgadas.
- Está um gelo!
Riu-se.
- Senta-te aqui – pediu-me, puxando a dobra dos meus calções.
- Sabes, Dunas…
- Encontrei um braço de lula gigante lá ao fundo – contou, eufórico, apontando a linha o horizonte.
- Eu queria dizer-te que…
- Deve ter havido luta com um tubarão.
- Credo! Há tubarões por aqui?!
- Foi só para ver a tua cara! – E riu-se outra vez.
- Olha Dunas, eu…
- Mas há raias gigantes. E lulas. E polvos de todos os tamanhos, lá ao fundo, claro.
- Está bem, mas…
- Eu encontro alguns, quando mergulho do barco de um amigo do Pedro, que também é pescador.
- Estou a ver. Agora, o que eu queria dizer-te era…
- Corais é que não há, e é pena.
Impacientei-me:
- Chiu! Importas-te de me deixar falar?
Riu-se descaradamente, a desafiar-me.
- Estás zangada?!
- Por enquanto não, mas vou ficar, se não me deixares falar! Detesto que me interrompam.
- Já sei tudo – atalhou com o maior descaramento.
- Sabes o quê, afinal, ah?
- Ora, que gostaste do meu poema e até o sabes de cor.
- Por acaso enganaste-te. (…)
Mergulhei para ganhar coragem:
- O que eu ia dizer-te, Dunas, é que hoje compreendi…
- Qua gostas muito mais de mim do que dantes. Eu também gosto mais de ti.
Baixei a cabeça, desolada. (…)
Viemos os dois a nadar até à praia. Depois, deixamo-nos cair sobre a primeira faixa de areia seca. Em seguida, o Dunas levantou-se bruscamente e deitou-se noutra posição, de cabeça em frente à minha e murmurou:
- É tudo verdade.
- O quê?
- Aquilo que eu escrevi...”
O guarda da praia
Quando dei por mim, estava na praia. Tirei os sapatos e corri para a beira-mar. A água fria insistiu em acordar-me e eu não queria.
- Está quentinha! – disse o Dunas, saindo do mar e borrifando-me os cabelos com gotas salgadas.
- Está um gelo!
Riu-se.
- Senta-te aqui – pediu-me, puxando a dobra dos meus calções.
- Sabes, Dunas…
- Encontrei um braço de lula gigante lá ao fundo – contou, eufórico, apontando a linha o horizonte.
- Eu queria dizer-te que…
- Deve ter havido luta com um tubarão.
- Credo! Há tubarões por aqui?!
- Foi só para ver a tua cara! – E riu-se outra vez.
- Olha Dunas, eu…
- Mas há raias gigantes. E lulas. E polvos de todos os tamanhos, lá ao fundo, claro.
- Está bem, mas…
- Eu encontro alguns, quando mergulho do barco de um amigo do Pedro, que também é pescador.
- Estou a ver. Agora, o que eu queria dizer-te era…
- Corais é que não há, e é pena.
Impacientei-me:
- Chiu! Importas-te de me deixar falar?
Riu-se descaradamente, a desafiar-me.
- Estás zangada?!
- Por enquanto não, mas vou ficar, se não me deixares falar! Detesto que me interrompam.
- Já sei tudo – atalhou com o maior descaramento.
- Sabes o quê, afinal, ah?
- Ora, que gostaste do meu poema e até o sabes de cor.
- Por acaso enganaste-te. (…)
Mergulhei para ganhar coragem:
- O que eu ia dizer-te, Dunas, é que hoje compreendi…
- Qua gostas muito mais de mim do que dantes. Eu também gosto mais de ti.
Baixei a cabeça, desolada. (…)
Viemos os dois a nadar até à praia. Depois, deixamo-nos cair sobre a primeira faixa de areia seca. Em seguida, o Dunas levantou-se bruscamente e deitou-se noutra posição, de cabeça em frente à minha e murmurou:
- É tudo verdade.
- O quê?
- Aquilo que eu escrevi...”
O guarda da praia
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